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Anaciclose Imperfeita

Anaciclose Imperfeita

25 de Abril

O 25 de Abril valeu, fundamentalmente, pela luta por uma transmutação de valores - concretizada pelo menos no plano ideológico e no das representações sociais colectivas -, porque, como assistimos diariamente, essa concretização nunca chegou efectivamente a passar desse plano para o plano da sua materialização social. Como podemos ir observando, a coisa não passou de uma mera circulação de elites.

Hoje acrescento que essas elites, por cá, foram sempre as mesmas na essência sociológica. Apesar das mudanças de estruturas, as elites continuam a viver sempre do saque e para o saque. Do saque colonialista passou-se para a venda a retalho do país a Bruxelas e a Berlim. As elites que, no contexto actual, enquanto vêm despudoradamente a público defender a austeridade aplicada aos trabalhadores, aos reformados, aos jovens, ao sistema de Saúde e de Ensino, se põem ao fresco nos seus paraísos fiscais.

As elites que se arvoram em entendidas na teoria económica, que vilipendiam o Estado na sua função social, mas não se esquecem de lhe estender a mão quando é necessário sugar-lhe o erário.

As elites económicas que se suportam nas elites intelectuais ao serviço da causa que, de uma forma muito marxista (ironia das ironias), decretam os fins últimos e proféticos. As teorias do fim da história e do fim das ideologias não passam de narrativas que servem o propósito de fazer desvanecer a essência da democracia – os movimentos, os partidos, o associativismo, que por cá, diga-se, também nunca fez grande escola.
As estruturas do poder tomadas, os partidos subordinados às lógicas do patrocinato, as indústrias culturais a desempenharem as habilidades da propaganda, mais ou menos furtiva, mais ou menos denunciada, e está completo o teatro do controlo e da dominação onde somos todos – uns mais do que outros – marionetas alegres.

Como disse Charles Bukowski: "A diferença entre democracia e ditadura é que na democracia se pode votar antes de obedecer às ordens."
Ou como disse Chomsky: “O sistema de controlo das sociedades democráticas é mais eficaz; ele insinua a linha dirigente como o ar que respiramos. Não percebemos, e, por vezes, imaginamo-nos no centro de um debate particularmente vigoroso. No fundo, é infinitamente mais teatral do que nos sistemas totalitários.”

Apesar disso tudo, o fim do fascismo borra-botas que estrangulou este país deve sempre ser lembrado e comemorado, porque ele ainda aí anda, mais ou menos latente consoante a consciência e o esclarecimento de quem lhe dá de comer e o passeia por aí todos os dias…

A todos esses, faço questão de lhes endereçar o bonito e popular manguito. Sempre que puder. Sempre.

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